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#1 – Nove de nove em nove

setembro 28, 2009

01a

– Não há Sol que nos suporte.

– Nem gente, nem ar condicionado. Nossa legitimidade é fruto da incompetência cafajeste dos outros, os públicos mesmo, né?

– O erro foi acreditarem que público era feio e privado era bonito. Toda época tem umas mentirinhas que depois viram piada.

– O pior é o preço disso pra nós.

– Pra todos.

– É, é um saco.

Tudo é asséptico. Seus sorrisos e desejos, seu senso polido e cinza meio amargo, tudo é limpo e de pontas arredondadas, seus olhos são macios e de conforto, como as poltronas, as praças.

– Medrado, se respeite, nos respeite. Nos seus exageros ficamos aparentes demais.

– Tulipa, não tem exceção. Já falamos disso. Todo grupo tem o lado verdade (seus propósitos e propagandísticas) e o quinhão de facismo (marca forte, onipresença, hino, bandeira, violência contra tudo que não somos), certo?

– Ótimo, e enfiam essa cartilha de clube de golfe no seu rabo se te pegam colando esses adesivos, caceta! E frouxidão por frouxidão, todo mundo se embanguela se te pegam.

A Futuro Público é uma empresa qualquer. Seu produto, cidades inteiras, motivação coletiva e frenesi infividual. Tulipa e Medrado são quadros médios da empresa e do bolo (Ricky Martin, o nome do bolo; dos anos quarenta pra cá a alma latina fake e pop virou modelo de conduta – Banderas, Iglesias, Alejandro Sans são nomes de outros bolos). Os dois se encarregam da pequena propaganda para o bolo e integram a repartição de subliminares na Futuro Público.

– Passa esse cinto depois e me ajuda a colar esses aqui. Olha o tanto de armário que falta!

– Aí não ponho o cinto e corro com as calças no calcanhar se algum ponta…

– Bom dia quadro Medrado, quadro Tulipa. Sabemos, conhecemos os motivos, concordo com restrições, mas preciso que, Medrado, você me acompanhe ao quarto andar.

O ponta, meio bedel, meio sábio de plantão, Karajá (chutam até que nascido ainda no XX), veio, viu e levou Medrado, sem resistência.

Em todos os tempos, todos os órgãos tiveram quarto andar.

O vestiário murchou-se com Tulipa dentro. A água se desfez, os contínuos saíram em silêncio e os adesivos se desprenderam no vapor.

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3 Comentários leave one →
  1. setembro 28, 2009 1:43 am

    Cá estou! Vamos seguir com a novela.

  2. outubro 2, 2009 3:02 am

    Viva!

  3. novembro 4, 2009 5:12 pm

    Comecei a ler sem atentar pro autor, mas logo de cara, pelo tema que trata e o tom da discussão, presumi que era do Heyk.Tema caro as nossas ciências sociais!

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