Prólogo
Escrito por Heyk Pimenta
Aqui é a Futuro Público S. A., dona de algumas das cidades mais importantes do país desde que a onda das privatizações começou; junto com o esfriamento e enxugamento da esfera pública houve a diminuição dos setores que eram de responsabilidade do Estado.
Essa onda tomou força no Chile do início dos anos 1990 (se espalhando pelos outros países da América do Sul e logo em todo o mundo), cumprindo um neoliberalismo cego em relação à linha que dividiu países pobres de ricos durante toda a era moderna.
Ao lado da Futuro Público surgiram empreendimentos como a Bem Estar Brasileiro, Brasil do Futuro – pioneira –, Interesse Cidadão e outras empresas surgidas de associações de grupos políticos (pessoal da administração pública, empresários e lobistas). Elas se formaram e ascenderam com a advento da terceirização de setores e serviços públicos.
A princípio executaram tarefas pequenas como obras da construção civil e recolhimento de lixo, com contratos arbitrários – onde regalias financeiras e facilidades jurídicas indicariam a um leigo os interesses envolvidos. Agora elas se expandiram a ponto de terem substituído completamente prefeituras e fóruns locais, em casos como Curitiba, Ribeirão Preto e Manaus.
As ações decisórias dessas companhias são previstas e executadas com base em estudos internos, mesclados a pesquisas públicas periódicas (de confiabilidade razoável). Incluem-se, inclusive, as eleições hierárquicas da – como ficou conhecida – administração compartilhada.
Assim, dentro dessas companhias há grupos que se organizam por meio de afinidade e afetividade. Esses grupos tomaram caráter político, nublando fronteiras entre partido, clube e seita; são chamados pelos seus integrantes, e hoje pela imprensa, de bolos. O gosto público ainda não conhece os trâmites desses novos atores do cenário nacional.